Carina ( Quilha )
Astronomia

Carina ( Quilha )



Na ilustração está incluída uma constelação que caiu em desuso, constituída por estrelas de brilho muito reduzido e invisíveis num céu urbano, identificada textualmente " Felis " ( Gato ).

Dados da constelação:
Abreviatura oficial:  Car
Genitivo usado para formar o nome das estrelas:  Carinae
Possível de se observar na totalidade entre as latitudes:  14°N ? 90°S 
Possível de se observar parcialmente entre as latitudes:  39
°N ? 14°N
Culminação à meia-noite - data em que passa mais tempo visível à noite:  31 Jan


Argo Navis - clicar para ampliar a imagem
Esta constelação fazia parte de uma maior, bastante antiga, chamada Argo Navis ( O Navio ou, segundo o título original, O Navio " Argo " ), que foi dividida por Lacaille, em 1754, em 3 constelações modernas: Quilha, Vela e Popa. Uma quarta, " Pyxis " ( a Bússola ), foi idealizada pelo astrónomo francês usando estrelas que desenhavam parte do mastro da figura.
Segundo a mitologia grega, a antiga " Argo Navis " representava o navio que Jasão e os Argonautas usaram na sua busca pelo Velo de Ouro ( associado no céu à constelação de Aries ). Do navio é apenas visível a metade posterior, tendo a tradição definido que o resto da embarcação não era visível por estar envolta em nevoeiro, ou porque o episódio celebrado nesta constelação se referia ao momento em que o Argo se lançara na travessia dos Rochedos Azuis que estariam, por isso, a ocultar a proa.        
A Quilha representa, como o nome indica, a quilha do navio Argo. Localiza-se com facilidade por conter estrelas brilhantes - entre as quais Canopo, a 2ª estrela mais brilhante de todo o céu, a seguir a Sírio - e por se encontrar entre duas outras constelações de fácil identificação - O Cão Maior e o Cruzeiro do Sul ( " Crux " ).


 Numa particularidade única entre as constelações modernas, a designação das estrelas pelo sistema mais conhecido e usado ( classificação de Bayer ), continua a considerar a constelação ( em desuso oficial ) de Argo Navis como um todo. Por isso, as estrelas catalogadas como Alfa e Beta encontram-se na constelação oficial da Quilha, mas a Gama e Delta encontram-se na Vela, a Eta na Quilha, Zeta na Popa, e por aí fora.


Objectos celestes mais notáveis:


- NGC 2516 -  um enxame estelar aberto de Mag. 3.3 , visível a olho nu, também conhecido como Enxame Diamante devido ao efeito reluzente provocado pelas estrelas que o constituem. É uma observação muito bela de se fazer para quem usa  binóculos.








- NGC 2808 - um enxame estelar globular de Mag. 6.2 , observável com telescópios modestos.






- NGC 3114 - um enxame estelar aberto de Mag. 4.2 , muito belo de se observar com binóculos.









- NGC 3293 - um enxame estelar aberto de Mag. 4.7 , também conhecido como Enxame Gema devido às semelhanças com uma pedra preciosa reluzente. É visível a olho nu ( aparência estelar ) e uma belíssima observação para se fazer com binóculos.








 - NGC 3372 - uma nebulosa difusa ( de emissão ) chamada Nebulosa da Carina. Aqui se encontra a famosa ? ( Eta ) Carinae e sua nebulosa envolvente - a Eta Carinae é a estrela mais brilhante, em tons de branco amarelado, ligeiramente abaixo e à esquerda da zona central na imagem ao lado. Podemos igualmente localizar a nebulosa escura denominada Nebulosa da Fechadura, uma zona escura que se vê na imagem, imediatamente abaixo da Eta Carinae. Visível a olho nu e muito bela de se observar mesmo apenas com uns binóculos, por apresentar uma Mag. de 1.0 , a Nebulosa da Carina é maior do que a Nebulosa de Orion.
A imagem foi rodada digitalmente para coincidir com a que é apresentada a seguir.


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Veja-se um " mapa " indicativo de todos os objectos celestes que compõem a Nebulosa da Carina na imagem da direita.





- NGC 3532 - um enxame estelar aberto de Mag. 3.0 , também conhecido como Enxame ( Poço ) dos Desejos, pela sua semelhança com um punhado de moedas no fundo de um poço. É visível a olho nu e um dos objectos celestes mais populares entre os astrónomos amadores que usam instrumentos modestos. Muito belo de se observar até com binóculos.






- IC 2602 - um enxame estelar aberto de Mag. 1.9 , também conhecido como Plêiades do Sul por apresentar algumas semelhanças com as Plêiades, famoso enxame visível no hemisfério Norte. Por conter a brilhante estrela ? ( Teta ) da constelação da Carina, é igualmente conhecido como Enxame Teta Carinae. É um dos objectos mais famosos da constelação, pela sua beleza. Visível a olho nu, é uma observação maravilhosa de se fazer mesmo apenas com binóculos.








Localizem-se as estrelas e objectos celestes da constelação no mapa:


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Mapa com fundo branco

Se está a fazer observações do céu enquanto consulta esta página, desaconselha-se a visualização do mapa abaixo ( não clique na imagem ); a exposição a uma imagem tão clara fá-lo-á perder temporariamente a adaptação dos olhos à obscuridade, reduzindo a capacidade de distinguir pormenores mais finos. Esta adaptação, com o intuito de obter a melhor visão nocturna possível, é essencial nas observações astronómicas e demora cerca de 20-30 minutos a alcançar. A exposição à luz ( ou a um fundo branco ) reverte o processo de forma imediata, obrigando-o a esperar algum tempo para que os seus olhos se adaptem novamente à obscuridade.

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Algumas estrelas da Quilha fazem parte de asterismos famosos:

- ? (Beta) Carinae + ? (Teta) Carinae + ? (Úpsilon) Carinae + ? (Ómega) Carinae formam um desenho conhecido como Cruzeiro Diamante.
- ? (Delta) Velorum + ? (Capa) Velorum + ? (Épsilon) Carinae + ? (Iota) Carinae - formam um desenho conhecido como Falso Cruzeiro ( do Sul ), por ser muito facilmente confundido com a constelação do Cruzeiro do Sul.



Estrelas mais notáveis:


- ? (Alfa), tem o nome próprio Canopo. Uma lenda grega conta que este seria o nome próprio do piloto e comandante da frota de Menelau, rei de Esparta que teria tomado e destruído a cidade grega de Tróia, devido ao rapto da sua esposa Helena por parte do rei Páris. Durante uma ida a terra da comitiva de Menelau num porto egípcio, Canopo salvou o rei de ser mordido por uma serpente venenosa, acabando por falecer devido ao seu acto heróico. Em sua homenagem, não só esta importante estrela, como também a cidade portuária ( actual Abu Qir ) teriam passado a chamar-se ambas " Canopo ".
É uma supergigante amarelada, a mais de 300 anos-luz, usada como referência por satélites e naves tripuladas pelo seu brilho e posição perto do Pólo Sul Celeste. É a 2ª estrela mais brilhante do céu, de Magnitude -0.7 , apenas visível em latitudes mais a Sul que 37º N .
- ? (Beta), tem o nome próprio Miaplacidus, que se pensa resultar da fusão do árabe " Miy'ah " ( " águas " ) e do latim " Placidus " ( " plácido " , " tranquilo " ) na expressão " águas tranquilas ", bastante adequada à localização da estrela no desenho da constelação, assinalando a água que envolve o casco do Navio Argo. É uma gigante branca de Mag. 1.7 .
- ? (Épsilon), tem o nome próprio Avior. É uma dupla física ( a proximidade entre as componentes é real ) de Mag ( global ) 1.8 , impossível de se observar separada nas duas constituintes individuais através de instrumentos ópticos. O nome foi atribuído ( com grande polémica ) pela Royal Air Force na década de 30 do século passado, para referência na navegação aérea.
Eta Carinae - imagem do Hubble
 - ? (Eta) ( a famosa Eta Carinae - assinalada no mapa acima com um " ? " vermelho ), apresenta uma Mag. de 6.2 , pelo que está no limiar da detecção à vista desarmada. É uma estrela variável que ainda confunde os cientistas. Um peso-pesado estelar ( extremamente maciça ) que apresenta uma inexplicável e imprevisível variação de brilho - já rivalizou com a Alfa Carinae e poderá voltar a fazê-lo. É, de facto, uma das estrelas mais famosas e estudadas do céu, não só por ser uma das mais maciças da nossa galáxia, como também por ser, de entre todas elas, a que mais próxima se encontra de explodir numa brilhante supernova. Esta possibilidade é considerada por muitos cientistas pois, para além de não ser surpreendente que o fenómeno fosse observado nos próximos 100 anos ( por, na verdade, já ter ocorrido no local, há mais de 7 000 anos atrás ), a violência da explosão poderá fazer chegar à Terra alguns dos efeitos decorrentes da mesma, apesar de nos encontrarmos a 7 500 anos-luz de distância da Eta Carinae.
 - ? (Teta), é por vezes referida pelo nome próprio Vathorz Posterior, designação de origem obscura que deriva do antigo dialecto escandinavo com raízes no latim ( refira-se que a constelação da Quilha não é visível na Escandinávia, o que torna esta associação intrigante ) e que significa " aquela que vem a seguir, na linha de água " ( no Navio Argo ); o nome pretende distingui-la da estrela Úpsilon, que também assinala a mesma linha e que é conhecida como " Vathorz Prior " - " a primeira, na linha de água ". É uma anã azul de Mag. 2.7 que se destaca das suas companheiras no enxame estelar aberto IC 2602, pelo que este é também conhecido como " Enxame Teta Carinae ". Apresenta a peculiaridade de ser a mais brilhante de entre todas as estrelas conhecidas como " Blue Stragglers " ( numa tradução literal, " retardatárias azuis " ).
As Blue Stragglers são estrelas que pertencem a enxames estelares e se apresentam demasiado jovens e azuis ( por serem mais quentes ) relativamente às companheiras que as rodeiam ( todas elas localizadas numa área comum no Espaço, originárias da mesma nuvem de gás e com ciclos de vida bastante semelhantes e previsíveis ). O facto de se apresentarem tão diferentes das suas companheiras só consegue ser explicado por terem sido alvo de algum fenómeno invulgar, tendo muito provavelmente resultado da colisão entre duas ou mais estrelas, ou da captação, por interacção gravitacional, de material de outras estrelas próximas.
 - ? (Iota), tem o nome próprio Aspidiske, do grego significando " o pequeno escudo " - referindo-se a um objecto decorativo no Navio Argo e não a uma arma defensiva. Como é bastante frequente nos nomes próprios das estrelas, não foi esta que os Gregos assim denominaram originalmente, mas a tradição acabou por manter este nome próprio associado à Iota Carinae. É uma supergigante esbranquiçada de Mag. 2.3 .
 - ? (Úpsilon), é por vezes referida pelo nome próprio Vathorz Prior que significa " a primeira, na linha de água " ( no Navio Argo ) - sobre a origem da expressão, leia-se o texto acima referente à estrela Teta. É uma dupla física de Mag. ( global ) 2.9 , cujas componentes podem ser observadas individualmente com telescópios modestos. 
 - ? (Qui), é por vezes conhecida pelo nome próprio Drus ou Drys, designação grega para " carvalho ". Isto porque, segundo a lenda associada à antiga constelação de Argo Navis, da qual a constelação da Carina representa a quilha do navio, a proa havia sido construída com o tronco de um carvalho sagrado do oráculo de Dódona. O tronco falava continuamente com os Argonautas durante a viagem, incentivando-os a perseguirem o seu objectivo e servindo de intermediário entre os navegantes e os deuses do Olimpo. A Qui Carinae é uma anã azulada de Mag. 3.5 .
 - ? (Ómega), é por vezes referida pelo nome próprio Simiram, designação proveniente do dialecto nativo dos indígenas das ilhas Chuuk, no Pacífico Sul, que significa " reflexo do Sol nas águas ". É uma gigante azul de Mag. 3.3 .
 - l Carinae, é uma supergigante amarela de brilho variável, à volta de Mag. 3.5 . A sua denominação, " l " ( " L " minúsculo ), resulta de ter sido catalogada segundo a classificação de Bayer, astrónomo alemão que, pela primeira vez, sugeriu um método para inventariar todas as estrelas do céu. Grosso modo, de forma a simplificar o conceito, costuma-se explicar que neste método, a cada estrela de cada constelação foi atribuída, por ordem de brilho, uma letra do alfabeto grego, sendo a Alfa a mais brilhante e a Ómega a 24ª mais brilhante. Na verdade o processo não foi tão linear assim - para mais esclarecimentos, consulte-se o link publicado atrás. Terminadas as 24 letras do alfabeto, Bayer prosseguia segundo a mesma lógica, mas atribuindo letras ( na forma de minúsculas ) do alfabeto latino. A catalogação podia ainda prosseguir, terminadas as letras anteriores, passando a ser usadas as letras do mesmo alfabeto mas desta vez em maiúsculas, até à letra Q. Permaneceram em uso corrente até hoje as designações de Bayer que aplicam o alfabeto grego, tendo as restantes ( que usam as letras do alfabeto latino ) caído em desuso, apesar de algumas excepções ( entre elas, a l Carinae ) se terem popularizado e, por isso, mantido.
- R Carinae, é uma gigante vermelha do tipo Mira ( protótipo desta classe de estrelas variáveis ) cuja Mag. se altera progressivamente entre 3.9 ( visível a olho nu ) e 7.4 ( visível apenas com binóculos ), em ciclos de cerca de 309 dias. Pode ser localizada, assinalada com uma mira vermelha, na imagem:

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